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"Being
a doula means taking EVERYTHING you are, everything you have learned
about life, and channeling it in your own way to provide the best possible
support for a family. It means working to give the birth-experience
back to the people it belongs to. It means learning (sometimes the hard
way) that the forces of life
..and of death
.are to be given
the utmost respect. To be present at this time, this unfolding of lifes
mystery, is the ultimate privilege."
(Darlene, doula)
Após
quase dois anos trabalhando como doula gostaria de compartilhar algumas
experiências e passar algumas dicas práticas sobre o papel
da doula. Os motivos que nos levam a exercer essa profissão podem
ser vários e todos viáveis, embora acredito que motivos
econômicos sejam os menos viáveis.
Gravidez
e parto são experiências extremamente marcantes e transformadoras
na vida de uma mulher, no sentido físico, emocional e até
espiritual. Ajudar mulheres a passar por isso de forma positiva foi
o meu motivo para começar a trabalhar. Sendo assim, ser doula
deixa de ser uma simples profissão e torna-se uma postura de
vida.
Ser doula
exige de você ter SEMPRE o maior respeito pelas escolhas e decisões
que o casal ( às vezes junto com você e/ou obstetra) tomam.
Pois nem sempre são as escolhas ou decisões que você
tomaria. Para isso ser possível, você tem que saber ouvir,
conversar e ficar longe de qualquer tipo de julgamento.
Sempre
parto do princípio de que cada mulher tem uma capacidade inata
de parir, ela faz parte da nossa natureza como mulher. Portanto, idealmente,
ela não precisaria de ajuda para passar pelo processo de trabalho
de parto e parto e qualquer tipo de intervenção acaba
sendo prejudical.
Na nossa
sociedade ocidental, principalmente na brasileira, por motivos que poderiam
ser abordados em outro artigo, a mulher acabou se afastando parcial
ou completamente desta sua natureza e precisa de ajuda na hora do parto.
Para poder ficar o mais perto possível da sua propria natureza,
a parturiente precisa de formas de ajuda com um nível mínimo
de intervenção. É aí que a doula entra no
processo.
Usando
intervenções de um modelo holístico de apoio, ela
pode ajudar a parturiente para que esta não precise entrar no
modelo tecnocrático de intervenção (veja Robbie
Davis-Floyd). Ou seja, a doula ajuda a parturiente a lidar com a dor
com meios não-farmacológicos. Ajuda a adiar, ou até
mesmo a dispensar a introdução de meios farmacológicos
de alívio de dor. Com isso, ela ajuda a parturiente a resgatar
a própria natureza. Portanto, sempre procuro sentir como a parturiente
está, se ela realmente precisa de alguma AÇÃO minha,
ou se está conseguindo prosseguir bem sozinha. Neste caso, não
intervenho, respeito o processo.
Para ser
uma boa doula então temos que ser boas observadoras. Para ser
uma boa observadora na hora do trabalho de parto e parto temos que treinar
a nossa capacidade de observação no nosso dia-a-dia. Observar
como eu estou, como o meu companheiro está, meus filhos, meus
colegas, amigos, a minha casa, o meu trabalho etc. Com esse treino,
na hora do trabalho de parto saberemos reconhecer o que a parturiente
precisa, pois ela nem sempre se expressará de forma verbal.
Reconhecendo
o que ela precisa precisamos agir com iniciativa, ou seja, saber o que
tem que ser feito e fazer o que tem que ser feito, na hora certa, na
medida certa, para a pessoa certa. Porém sempre com senso crítico
sabendo avançar e recuar na hora certa.
Vão
surgir momentos nos quais você precisa perceber que a parturiente
não está querendo ouvir suas palavras, não está
querendo sentir o seu toque. Ela quer ficar sozinha, quer ficar com
o companheiro ou só com o obstetra. Aí nós temos
que nos afastar delicadamente para que o outro possa entrar. Vão
surgir momentos que as suas palavras ou sugestões precisam ser
dirigidas ao companheiro, para que ele possa aproveitar plenamente o
papel dele.
Em outros
momentos vamos ter que nos comunicar com a equipe médica, teremos
papel de intermediários, sugerindo métodos de alívio
de dor, expressando o que a parturiente quer, perguntar se é
possível isso ou aquilo, porém sempre pedindo com muito
respeito e jeitinho, pois o nosso papel não é médico.
Se trabalhamos
numa mesma equipe sempre é bom ter conhecimento dos protocolos
do obstetra, pediatra, enfermeira obstétrica. Para poder explicar
para a parturiente e companheiro o que está acontecendo ou o
que vai acontecer. Nunca engane a parturiente sobre o progresso do seu
trabalho de parto dizendo que está ótimo e que daqui a
pouco já vai nascer quando não é o caso. Seria
uma grande falta de respeito e cabe ao obstetra avaliar. Por outro lado
acredito que a palavra 'não' deve ser usada com moderação.
Precisamos
ter no mínimo conhecimentos básicos de obstetrícia,
primeiros cuidados com o bebê e amamentação e sobre
protocolos de hospital. Em primeiro lugar para não ficarmos perdidas
e também para poder oferecer, quando solicitado, várias
alternativas para que a parturiente possa, em conjunto com seu obstetra
ou pediatra, tomar a melhor decisão para ela e o seu bebê.
Pode chegar
a acontecer que a parturiente ou mesmo o companheiro começe a
gritar com você, xingar você, ou talvez negar a sua presença.
Não se sintam magoadas. Entendam que faz parte do processo e
que não é pessoal. No caso de ela começar a gritar
com o companheiro, teremos que explicar isso para ele e sugerir meios
para que ele se possa se sentir útil e não rejeitado.
Sugiro
que tenham contato com a parturiente e companheiro durante a gravidez
para os três se conhecerem e verem se têm empatia. Isso
ajuda no desenvolvimento do trabalho de parto e parto, embora não
seja um pré-requisito.
Assim
como esse contato na gravidez, seria bom manter contato também
nos primeiros dias pós-parto. A maioria das mulheres sente necessidade
de reviver a experiência do parto com uma pessoa que estava próxima.
Às vezes conseguem contar coisas para a doula que não
contam para os respectivos médicos. Esse contato serve de avaliação
para você!
O nosso
compromisso é com a parturiente e o companheiro!
Algumas
dicas práticas
- levar
malinha "mágica" com tudo que você poderia estar
usando (veja artigo sobre a bolsa da doula)
- levar uma troca de roupa para você, pois dependendo do lugar
você pode se molhar se a parturiente decidir usar o chuveiro ou
a banheira;
- tenham consciência de ter que seria bom formar um 'grupo de
apoio' para você, pois às vezes temos que sair correndo
no meio da noite ou de madrugada e não teremos hora para voltar!
Quem vai cuidar dos nossos filhos?! (veja artigo sobre pré-requisitos
para ser doula)
- Sempre façam uma avaliação depois do parto. De
preferência com a equipe que atendeu. Se isso não for possível,
façam uma auto-avaliação, anotem e aprendam para
o próximo parto.
Dorothe
Kolkena
Doulas.com.br
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