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Vivemos
num país onde 70 a 90% dos partos privados são cirúrgicos.
São poucos os obstetras da prática privada que encorajam
as mulheres a terem um parto normal e o mais natural possível.
Os que têm essa postura são muitas vezes vistos como pessoas
"fora do sistema". Muitos são ostensivamente debochados
e marginalizados. A arte de partejar está se tornando rara dentro
do nosso sistema médico e o parteiro é cada vez mais solitário
em sua prática.
Mesmo
estes médicos que encorajam as gestantes a buscarem um parto
natural e fisiológico, têm à sua frente muitas vezes
gestantes assustadas, com pouco acesso a informação ou
até desejando partos cirúrgicos na esperança de
serem poupadas de dor ou desconforto. Nas poucas consultas de pré-natal
a maioria dos médicos não têm tempo suficiente para
tirar todas as dúvidas e se for o caso mudar o conceito que essas
gestantes têm sobre os eventos ligados ao nascimento dos bebês,
especialmente no que tange à dor do parto.
A doula
é uma profissional que vem complementar e facilitar a atividade
desses médicos. Entre suas funções está
a de preparar a gestante para o parto, através de encontros pré-natais,
recomendação de leitura, aconselhamento e fornecimento
de informações de qualidade.
Por
fim, uma das grandes barreiras que o médico enfrenta, especialmente
aquele que atende partos por convênios, é a questão
da remuneração. Obstetras recebem menos por um parto normal
do que por uma cesárea, apesar de precisarem ficar muito mais
tempo à disposição da parturiente no primeiro caso.
Nesse ponto o trabalho em conjunto com a doula torna o parto natural
mais viável, já que a parturiente estará na maternidade
acompanhada por uma doula e periodicamente examinada por uma enfermeira
obstetra. O médico poderá então dar continuidade
à sua rotina e ficará menos horas na maternidade aguardando
a hora do parto.
Outra
importante função da doula é proporcionar ao médico,
à parturiente e acompanhante um cenário de parto harmonioso
e respeitoso. Dessa forma o profissional pode se concentrar em seus
cuidados e atenções para com a parturiente e seu bebê,
sem ter que se preocupar com o conforto físico, técnicas
de relaxamento e respiração. Por sua vez a parturiente
conta com uma profissional 100% devotada ao seu conforto físico
e emocional, itens essenciais para o melhor andamento do trabalho de
parto e parto.
Não
se pode confundir as funções da doula com as da equipe
de enfermagem ou com as da enfermeira obstetra. Em geral essas profissionais
estão ocupadas com vários partos acontecendo ao mesmo
tempo. Vão de quarto em quarto verificando se tudo vai bem, eventualmente
executam um exame de toque, providenciam a administração
de algum medicamento prescrito, e várias outras funções
das quais são incumbidas. Pouco tempo resta a elas para que possam
cuidar do conforto emocional e físico das parturientes. Além
disso trabalham em turnos, de forma que é comum haver troca de
equipes durante o trabalho de parto de uma mulher.
Embora
a doula não execute qualquer exame físico, não
interfira na atividade médica ou da equipe de enfermagem, seu
auxílio durante o trabalho de parto asseguram menor necessidade
de analgesia química, menor tempo de trabalho de parto e parto,
maior engajamento na amamentação, e acima de tudo, gestantes
acompanhadas por doulas reportam uma maior satisfação
com suas experiências de parto, mesmo em caso de complicações.
Ana
Cris Duarte
Doulas.com.br
Entrevista
com Dr. Ricardo Herbert Jones sobre sua parceria com doula e parteira
Artigo
do Dr. Adailton Salvatore Meira, médico obstetra, a respeito
dessa interação profissional
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