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MATERNIDADE
SEGURA
Assistência ao Parto Normal: um guia prático
Item 2.5 - Apoio durante o Parto
Relatos
e estudos controlados randomizados sobre o apoio por uma única
pessoa durante o parto, uma "doula", parteira ou enfermeira,
mostraram que o apoio físico e empático contíno
durante o trabalho de parto apresentava muitos benefícios, incluindo
um trabalho de parto mais curto, um volume significativamente menor
de medicações e analgesia epidural, menos escores de Apgar
abaixo de 7 e menos partos operatórios (Klaus et al 1986, Hodnett
e Osborn 1989, Hemminki et al 1990, Horfmeyr et al 1991).
Este documento identifica uma "doula" como uma prestadora
de serviços que recebeu um treinamento básico sobre parto
e que está familiarizada com uma ampla variedade de procedimentos
de assistência. Fornece apoio emocional, consistindo de elogios,
reafirmação, medidas para aumentar o conforto materno,
contato físico, como friccionar as costas da parturiente e segurar
suas mãos, explicações sobre o que está
acontecendo durante o trabalho de parto e uma presença amiga
constante.
Entretanto,
o apoio reconfortante constante de uma pessoa envolvida diminuiu significativamente
a ansiedade e a sensação de ter tido um parto difícil,
numa avaliação feita por puérperas 24 horas após
o parto. Também teve um efeito positivo sobre o número
de mulhres que continuavam a amamentar 6 semanas após o parto.
Uma parturiente deve ser acompanhada pelas pessoas em quem confia e
com quem se sinta à vontade seu parceiro, sua melhor amiga, uma
doula ou uma enfermeira-parteira. Em alguns países em
desenvolvimento, esta lista também poderia incluir a parteira
leiga. Em geral, serão pessoas que conheceu durante sua gestação.
Os profissionais
que prestam assistência obstétrica devem estar familiarizados
tanto com suas tarefas médicas quanto com as de apoio, e ser
capazes de realizar ambas com competência e delicadeza. Uma das
tarefas de apio do prestador de serviços é dar à
mulher todas as informações e explicações
que esta deseje e necessite. A privacidade da mulher no ambiente de
parto deve ser respeitada. Uma parturiente necessita seu próprio
quarto, onde o número de prestadores de serviço deve ser
limitado ao mínimo essencial.
Entretanto, na vida real com freqüência as circunstâncias
são consideravelmente diferentes da situação ideal
acima descrita. Em países desenvolvidos, muitas vezes as parturientes
sentem-se isoladas nas salas de parto de grandes hospitais, cercadas
por equipamentos técnicos e sem um apoio amigo por parte dos
prestadores de serviços.
Em países
em desenvolvimento, alguns hospitais de grande porte estão tão
assoberbados por partos de baixo risco que é impossível
fornecer apoio pessoal e privacidade. Os partos domiciliares em países
em desenvolvimento freqüentemente são atendidos por pessoal
sem treinamento ou com treinamento insuficiente. Nessas circunstâncias,
o apoio à parturiente é deficiente ou mesmo ausente, pois
um número significativo de mulheres dá à luz sem
nenhum tipo de parteiro.
As implicações destas declarações em relação
ao local do parto e ao fornecimento de apoio podem ser muito grandes,
porque elas sugerem que os prestadores de assistência obstétrica
devem trabalhar numa escala muito mais reduzida. Deve-se fornecer assistência
especializada na comunidade onde a mulher mora ou num local próximo,
em vez de concentrar todas as parturientes numa grande unidade obstétrica.
Unidades
de grande porte que realizam 50 a 60 partos por dia deveriam reestruturar
seus serviços, a fim de poderem responder às necessidades
específicas das parturientes. Os prestadores de serviços
precisariam reorganizar os turnos de trabalho, a fim de satisfazer às
necessidades de continuidade de assistência e apoio das parturientes.
Isto também tem implicações de custo, e portanto
torna-se uma questão política. Tanto países desenvolvidos
quanto em desenvolvimento devem abordar e resolver essas questões,
cada um de seu modo.
Em conclusão, o parto normal, desde que de baixo risco, necessita
apenas observação cuidadosa por um parteiro treniado e
competente, a fim de detectar sinais precoces de complicações.
Não necessita intervenção, e sim estímulo,
apoio e carinho. Podem-se elaborar diretrizes gerais sobre o que é
necessário para proteger e estimular o parto normal.
Entretanto,
cada país disposto a investir nesses serviços deve adaptar
essas diretrizes à sua situação específica
e às necessidades das parturientes, assim como assegurar a presença
dos elementos básicos, a fim de atender adequadamente as gestantes
de baixo, médio e alto risco e aquelas que desenvolverem complicações.
Impresso e distribuído pelo Ministério da Saúde,
1996
Relatório de um Grupo Técnico
Organização Mundial da Saúde
Unidade de Maternidade Segura, Saúde Reprodutiva e da Família
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