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Ontem,
16/09/2003, aconteceu o Forum sobre o Papel da Doula na Assistência
ao Parto, promovido pela Abenfo-SP e pela Faculdade de Enfermagem
da USP. A mesa estava composta pelas Enfermeiras Obstetras
Mirian Rego, de Belo Horizonte e Maria Cristina Gabrielloni,
do Hospital Albert Einstein, SP; pelo Dr. Marcos Ymayo, diretor
do Hospital Santa Marcelina do Itaim Paulista e pela Dra.
Daphne Rattner, representando a Coordenação
Nacional da Rehuna. A coordenação da mesa ficou
a cargo da Enfª Obstetra Maria Luiza Riesco.
Todas as falas foram permeadas pela questão das Evidências
Científicas que mostram ser a presença da doula,
além do acompanhante familiar, positiva para experiência
de parto, positiva para os resultados perinatais e não
apresenta contraindicações conhecidas até
o momento.
Mirian Rego contou de sua experiência com as doulas
comunitarias do Hospital Sofia Feldman, de uma maneira muito
positiva. Mostrou fala das mulheres que tiveram esse tipo
de acompanhamento e falou da importância da doula voluntária
(ou comunitária) como um mecanismo de controle social.
Daphne Rattner contou sobre as nuances do trabalho das doulas
particulares e mostrou as evidências científicas,
especialmente a revisão de Hodnett, 2003, que deixa
claro a diferença obtida pela presença da doula
nos serviços avaliados, onde mais de 12000 mulheres
fizeram parte das pesquisas.
Maria Cristina Gabrielloni falou sobre a preocupação
institucional em se regulamentar essa participação
em sala de parto, para que papéis não se confundam
e para que a segurança do parto seja sempre priorizada.
Deixou claro que a decisão de ter ou não uma
doula no parto cabe à família, sendo que ao
hospital cabe fazer com qua essa presença seja harmônica
com as regras locais.
Marcos Ymayo nos contou da experiência no Santa Marcelina,
reforçou a questão das evidências científicas
e deixou explicitada a delicadeza do momento e como a doula
pode ser importante para aumentar a qualidade da experiência
do parto, e quanto isso vai influenciar na vida futura dessa
família.
Em seguida a discussão foi aberta ao público
e várias pessoas falaram, incluindo doulas e enfermeiras
obstétricas. Os pontos citados pelo público,
sem nomear os autores da fala (não consegui anotar
todos nomes) foram:
- Estamos em uma democracia, o que vai exigir de todos nós
um exercício de adaptação. Em vez de
apontar e decidir para a mulher o que é bom ou ruim,
certo ou errado, o novo modelo de humanização,
ou "atendimento centrado da família", reza
que a própria família deva decidir quem estará
presente nesse momento.
- Existe uma preocupação em alguns hospitais
particulares, de que auxiliares de enfermagem façam
o curso de formação de doulas e então
passem a acompanhar partos no próprio hospital em que
trabalham, criando uma inversão de poder interno.
- Há ainda uma certa confusão em relação
aos estudos científicos, pois mais de uma fala versou
sobre estes, dizendo que os benefícios alegados não
são devido à presença de doulas, mas
sim à presença de um acompanhante de livre escolha
da mulher. (Nota desta Relatora: na verdade as evidências,
especialmente as citadas na revisão de Hodnett, 2003,
falam da presença da doula além da presença
do acompanhante de livre escolha da mulher, e que essa presença
a mais, inclusive sendo preferencialmente de fora do hospital,
melhora os resultados perinatais e a satisfação
das mulheres.)
- Foi apontada a questão do espaço, entra a
doula, entra o pai, entra o médico, entra o pediatra,
entra a enfermeira, onde entram os alunos da enfermagem?
- Foi apontada a expectativa de que a presença da doula
inibiria ou impediria a participação do pai
(NR: não é o que aponta a metalálise
de Hodnett, 2003)
- Foi discutida a questão de que doulas não
estão ocupando o lugar de um profissional já
existente, mas sim ocupando um espaço vazio, do acompanhamento
contínuo desde a gestação até
o pós-parto, passando por todo o trabalho de parto
e nascimento.
- Uma enfermeira lembrou de como tem sido difícil implementar
uma lei do acompanhante a nível nacional e expressou
seu temor de que a entrada da doula possa colocar toda essa
luta a perder.
- Discutiu-se o uso ou não do termo "profissional"
para doulas. Seriam elas profissionais, mesmo não estando
essa função regulamentada?
- Falou-se da criação da ANDO (Associação
Nacional de Doulas), ocorrida em Abril/2003, da capacitação
de novas doulas e da observância de um código
de ética.
- Um pouco fora do tema, mas não de menor relevância,
falou-se sobre o direito ao uso de peridural no SUS e como
esse direito adquirido tem sido gerenciado nos serviços
públicos.
Enfim, foi uma tarde muito proveitosa, e mesmo que não
tenhamos saído com um documento ou uma "decisão",
foi importante para que todos pudessem mostrar seus respectivos
pontos de vista e para que mais pessoas pudessem conhecer
o que há de teoria e prática sobre o trabalho
das doulas e seu papel no cenário do nascimento.
Foi muito emocionante ver que por todo o Brasil existem diversas
iniciativas públicas e privadas a favor de incluir
essa personagem na assistência ao parto e principalmente
à parturiente. Não por uma questão de
modismo, mas porque comprovadamente essa figura tem um valor
positivo no cenário do parto. Essas iniciativas de
inclusão estão geralmente a cargo de enfermeiras
obstetras bem formadas e bem informadas. Palmas para elas!!
Um forte abraço a todas,
Ana Cristina Duarte
Doulas do Brasil
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